Mural em grafíti "Lusíadas" [pormenor], na Av. da Índia
em Lisboa. Autoria de ARMcollective
Imagen e mais informação in revista Visão
Com todo o meu afeto – a Teixeira de Pascoaes
Eu ontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.
Chorámos, rimos, cantámos.
Falou-me do seu destino,
Do seu fado...
Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e lindo.
O seu hálito perfuma,
E o seu perfume faz mal!
Deserto de águas sem fim…
Ó sepultura da minha raça,
Quando me guardas a mim?...
Ele afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado...
Ao longe o Sol na agonia
De roxo as águas tingia.
«Voz do mar, misteriosa;
Voz do amor e da verdade!
— Ó voz moribunda e doce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...»
………………………………
E os poetas a cantar
São ecos da voz do mar!António Boto
Versão deste poema, in Canções, 2.ª ed., Lisboa: Olisipo, 1922.
[Canção n.º "XXVI" desta edição]

+WEB.jpg)
.jpg)













