27/12/2013

«O mais importante na vida», poema de António Boto


A criação de Adão - fresco pintado por Michelangelo
Teto da Capela Sistina, no Vaticano. Fotogr. de Christophe EYQUEM

O mais importante na vida
É ser-se criador, criar beleza.

Para isso,

É necessário adivinhá-la
Aonde os nossos olhos não a possam ver.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim. O mais importante na vida
É ser-se criador.

E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados,
Imitando a fé pela mão do amor.



António Boto







Texto publicado, originalmente,  in Curiosidades estéticas... (1924).
Versão publicada in As canções de António Botto. “Nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, pp. 45-46.
Nota: No verso 8.º, utilizei uma variante, a da versão de 1941 [Canções – 1.º vol. das OC].

26/12/2013

[Homem que vens de humanas desventuras] - soneto de António Boto
























Homem que vens de humanas desventuras,
Que te prendes à vida, te enamoras,
Que tudo sabes mas que tudo ignoras,
Vencido herói de todas as loucuras.

Que te ajoelhas pálido nas horas
Das tuas infinitas amarguras
E na ambição das causas mais impuras
És grande simplesmente quando choras.

Que prometes cumprir para esquecer,
E trocando a virtude no pecado,
Ficas brutal se ele não der prazer.

Arquiteto do crime e da ilusão,
Ridículo palhaço articulado,
Eu sou teu companheiro, teu irmão.


António Boto


Versão publicada in As canções de António Botto. “Nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p. 313.

21/12/2013

Teses académicas sobre António Boto

A

  • ANDRADE, Rosevan Marcolino de (2012, maio), Lirismo e homoerotismo n’As Canções de António Botto, tese de  Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade, Campina Grande, Univ. Estadual da Paraíba: Dep. de Letras e Artes.

F

  • FERNANDES, Maria da Conceição [Azevedo dos Santos] (1994), António Botto, vida e obra: novas contribuições [Texto policopiado], tese mestr. Lit. Comparadas Portuguesa e Francesa, 2 vols., Lisboa: UNL, 1994. – publicado com o título António Botto – um poeta de Lisboa: vida e obra: novas contribuições, Lisboa: Editorial Minerva, [abril de] 1998.

M

  • MARTINS, Ricardo Marques (2013), Artimanhas de Eros: aspectos do erotismo e do esteticismo na poética de António Botto, tese de Doutorado em Estudos Literários, Araraquara, Univ. Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho.
  • MATEUS, Margarida Maria Alves Nabais (1999), Relações literárias entre Fernando Pessoa e António Botto [Texto policopiado], dissertação de mestrado, Lisboa: s.n.
  • MATEUS, Margarida Maria Alves Nabais (2008), Configurações semânticas na construção do discurso de António Botto. Do(s) conto(s) à cultura e à(s) pedagogia(s) [Texto policopiado], tese de Doutoramento na área das Letras, Covilhã: Univ. da Beira Interior.

V

  • VIZCAÍNO, Fernanda Maria Cardoso Pereira (2012, outubro), Canções / Songs: Fernando Pessoa traduz António Botto, dissertação de Mestrado em Tradução e Interpretação Especializada, Porto: Instituto Politécnico do Porto: Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto.


JC Canoa
Atualizado a 22.12.2013

Ver para além de convenções - Testemunho de Jorge de Sena

Jorge de Sena (1919-1978)








“[…] Por uma tolerância muito análoga à de Camões (e contraditoriamente muito semelhante à de Pessoa) , resultante de ver-se o amor e a expressão dele como suprema dignidade, ainda que esse amor não seja senão vida sexual ou porque o é – e isto ainda é revolucionário nos quatro últimos séculos de literatura portuguesa –, Régio, como Pessoa antes dele, defendeu António Botto (cujos atrevimentos já outros escritores haviam protegido). Mas não o defendeu, como Pessoa fizera, em termos esteticistas, invocando o direito de admirar-se a beleza masculina ou de expressar-se o que as literaturas clássicas já haviam dito, nos termos do Pessoa – Álvaro de Campos (ninguém tem que ver com a vida de cada um); procurou ver nele, para lá de efeminamentos chocantes, e independentemente dos sexos envolvidos, uma expressão da dialética dos sentimentos e do desejo sexual, como este se contenta ou se recusa, como se acende e se esvai – e sob este especto, bem mais do que Régio brilhantemente viu ao falar do amor em Botto, este é realmente, em raros poemas excecionais, de uma lucidez que raros heterossexuais atingiram na poesia portuguesa. O cinismo esteticista do exibicionismo de Botto permitiu a este ver para além de convenções a que não estava preso (e a que descaradamente prestou homenagem quando achou que lhe convinha – mas nisso não terá ido em verso mais longe do que outros na vida privada), e que a promoção puritana e pequeno-burguesa reinstaurou, em grande parte, na vida portuguesa das últimas décadas.”


in: SENA, Jorge de (1974, maio), «O heterónimo Fernando Pessoa e os Poemas Ingleses que publicou», reprod. in Fernando Pessoa & Cª Heterónima (Estudos Coligidos 1940-1978), Lisboa: Edições 70, 1982, pp. 93-4.

19/12/2013

Canção «EU ONTEM PASSEI O DIA» [1922] de António Boto


Mural em grafíti "Lusíadas" [pormenor], na Av. da Índia
em Lisboa. Autoria de ARMcollective
Imagen e mais informação in revista Visão



Com todo o meu afeto – a Teixeira de Pascoaes

Eu ontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Chorámos, rimos, cantámos.

Falou-me do seu destino,
Do seu fado...

Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e lindo.

O seu hálito perfuma,
E o seu perfume faz mal!

Deserto de águas sem fim…

Ó sepultura da minha raça,
Quando me guardas a mim?...

Ele afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado...

Ao longe o Sol na agonia
De roxo as águas tingia.

«Voz do mar, misteriosa;
Voz do amor e da verdade!
— Ó voz moribunda e doce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...»
………………………………

E os poetas a cantar
São ecos da voz do mar!

António Boto



Versão deste poema, in Canções, 2.ª ed., Lisboa: Olisipo, 1922.
[Canção n.º "XXVI" desta edição]

17/12/2013

Cronobiografia de António Boto

O escritor no café Martinho da Arcada, onde por vezes
se encontrava com o seu amigo Fernando Pessoa

1897

[foto da biblioteca AB, atual]

  • António Tomás Boto nasceu a 17 de agosto de 1897, às 8 horas, no Casal da Concavada, do concelho de Abrantes. É filho de Maria Pires Agudo e Francisco Tomás Boto.

1902

Rua da Adiça, n.º 22, em Alfama
  • A sua família muda-se para Lisboa, onde o pai trabalhará nas fragatas do Tejo. Passam a residir na Rua da Adiça, n.º 22, em Alfama.

1917

  • Publica Trovas [poesia].

1918

  • Publica Cantigas da Saudade [poesia].

1919

  • Participa no projeto Cantares: versos de António Botto: músicas de Nicolau d'Albuquerque Ferreira: ilustrações do pintor António Carneiro.

1920

Rua da Madalena, n.º 151, 2.º Esq., Lisboa
Fotogr. de Francisco Lopes [Exposição]
  • Passa a morar na Rua da Madalena, n.º 151, 2.º Esq., Lisboa.
  • Publica Canções do Sul [poesia].

1921

Fotografia artística inclusa em Canções
  • Publica a 1.ª edição de Canções, com carta-prefácio de Teixeira de Pascoaes.

1922

  • Colabora com poemas na revista Contemporânea.
  • Publica a 2.ª edição de Canções – “muito aumentada, com um retrato do autor, palavras de Teixeira de Pascoaes e novas referências por Jaime Balsemão”, Lisboa: «Olisipo» - Sociedade Editora [de Fernando Pessoa], 1922.

1923

«Aviso por causa da moral»
- por Álvaro de Campos
  • Publica Motivos de beleza [poesia].
  • Rebenta a polémica em torno da 2.ª edição de Canções que – juntamente com Decadência de Judith Teixeira e Sodoma Divinizada de Raul Leal – é considerado imoral e mandado apreender pelo Governo Civil de Lisboa, na tarde de 5 de março. A questão envolverá o autor dos poemas, a Liga dos Estudantes das Escolas Superiores de Lisboa; o heterónimo pessoano Álvaro de Campos e mesmo o mestre Aquilino Ribeiro, acérrimo defensor dos autores com obras banidas.

1924

  • Publica «Cartas que me foram devolvidas» [prosa poética] na revista Athena (n.º 1, 1924), dirigida por Fernando Pessoa. – Estes textos serão posteriormente [1932] publicadas em volume.
  • Publica Curiosidades estéticas... [poesia].
  • Parte para Angola como funcionário público.

1925


Santo António do Zaire, c.1935-39
Fotógrafo: Elmano Cunha e Costa
IICT/ACTD/Arquivo Histórico Ultramarino 13251

  • Desempenha a função de Chefe da Repartição Política e Civil do Zaire, em Santo António do Zaire – atual Soyo, cidade situada no extremo norte angolano, já na fronteira com o Congo –, tendo também trabalho em Luanda.
Soyo, na província do Zaire, em Angola

  • Regressa a Portugal, sendo colocado no posto antropométrico do Governo Civil de Lisboa.
  • Publica Pequenas esculturas [poesia].

1927

Luís Fernando de Orleans y Borbón 
Fotografia in Wikipédia [clicar no nome]
  • Viaja a Itália, onde passa uma temporada na companhia do príncipe espanhol Luís Fernando de Orleans y Borbón [05.11.1888 – 20.06.1945]. Luís Fernando era gay e gostava de se vestir como mulher, tendo mesmo aparecido em espetáculos como bailarina. Amigo de António Boto e de Marcel Proust, este príncipe “maldito” passeou a sua “pequena majestade” por os salões e tugúrios de Paris da Belle Époque.
  • Publica Olympíadas: canções.

1928

  • A convite de José Régio, inicia a sua colaboração na revista Presença (n.º 10, março de 1928) com o texto «Canção sobre um eterno motivo».
  • Publica Dandysmo [poesia].

1929

  • Em abril/maio, é homenageado na Presença com a publicação da «Canção de Outono» e a tábua bibliográfica das suas obras.
  • Publica, em coautoria com Pessoa, três fascículos de uma Anthologia de poemas portuguezes modernos, a qual será publicada em volume, em 1944.

1930

  • Colabora na organização do “Primeiro Salão dos Independentes”, na Sociedade Nacional de Belas-Artes.

1931

  • Publica O livro das crianças [contos], com ilustrações de Carlos Carneiro.

1932

  • Publica em volume Cartas que me foram devolvidas – com um estudo crítico por Fernando Pessoa.

1933

  • Publica a peça Alfama que é levada à cena em Lisboa.
  • Publica António: novela dramática.

1934

  • Regista-se como sócio da sociedade de escritores e Compositores Teatrais portugueses, com o n.º 259.
  • Publica O meu amor pequenino [contos].
  • Escreve a letra de “Canção das lavadeiras”, com música de Luiz Freitas Branco, para o fonofilme Gado Bravo, dirigido por António Lopes Ribeiro.
  • Publica Ciúme: canções.
  • Em agosto, no jornal Fradique, tem início a violenta polémica que opôs José Régio, defensor de Boto, e Tomás Ribeiro Colaço, diretor do jornal.

1935

  • O livro das crianças é traduzida para língua inglesa – The children's book – por Alice Lawrence Oram, embora seja publicado em Portugal. As ilustrações são de Carlos Botelho.
  • Publica Dar de beber a quem tem sede [contos].
  • Publica A verdade e nada mais [contos].
  • Morre o seu amigo, tradutor e editor Fernando Pessoa [1888-1935].
No café-restaurante Martinho da Arcada, em Lisboa,
com Fernando Pessoa, Raul Leal e Augusto Ferreira Gomes

1936

  • Publica Baionetas da morte [poesia].

1937

  • Licença ilimitada do cargo de aspirante do Quadro Administrativo de Angola. [rever!]
  • Em abril, é nomeado para o lugar de escriturário de 2.ª classe do Arquivo Geral de Registo Criminal e Policial, no Posto de Identidade do Porto. Mais tarde, é promovido a escriturário de 1.ª classe do mesmo quadro.
  • Muda-se para a Rua Tenente Ferreira Durão, n.º 56, 3.º andar, Lisboa.
R. Tenente Ferreira Durão, n.º 56, 3.º, Lisboa
Fotogr. de Francisco Lopes [Exposição]

1938

  • Colabora na Revista de Portugal , direção de Vitorino Nemésio, e nos jornais Diário de Notícias e Diário de Lisboa.
  • Publica A vida que te dei [poesia].
  • Publica Nove de Abril: teatro em três actos, peça que é levada à cena em Lisboa.
  • José Régio publica o ensaio António Botto e o amor.

1939

  • Publica Não é preciso mentir [contos para crianças].1940
  • Publica a novela Isto sucedeu assim...
  • Publica O barco voador [contos].
  • A Morgadinha de Valflor – opereta adaptada por António Boto a partir do drama homónimo de Pinheiro Chagas.

1941

  • Começa a colaborar no jornal Os Sports, onde publica poemas, contos para crianças, críticas e crónicas. 
  • Publica uma entrevista com a filha de Guerra Junqueiro, sob o título «Junqueiro na Intimidade – o que nos disse a filha do poeta» (Diário de Lisboa, 22.03.1941).
  • Publica As canções de António Botto – “nova edição” ou “edição definitiva” – 1.º vol. das Obras Completas, s.l.: s.n., 1941.
  • Publica O Anjo da Guarda: comédia em 3 actos: adaptação: primeira representação no Teatro Variedades de Lisboa em 15 de Março de 1941, pela companhia António Silva – Irene Isidro – Ribeirinho.

1942

  • É demitido do cargo de escriturário de 1.ª classe do Arquivo Geral de Identificação por, diz-se, ter desacatado uma ordem verbal, ter dirigido galanteios a um seu colega e por fazer versos e recitá-los durante as horas de serviço da repartição; sem direito a qualquer pensão» [Despacho, Diário do Governo, II Série, n.º 262, 5795, Lisboa, 9.11.1941].
  • João Villaret interpreta o poema de Boto «Tríptico da Raça», no Teatro Avenida, com cenários e figurinos do poeta. 
  • Publica Os contos de António Botto: para crianças e para adultos.
  • Publica Aqui ninguém nos ouve [diálogo representado].
  • Publica OBRAS COMPLETAS – 2.º volume.

1943

  • Redige o prefácio de Aventuras do anão gigante, de Salomé de Almeida.
  • Publica A guerra dos macacos [contos para crianças].

1944

  • Seleciona e publica Histórias do Arco da Velha: antologia de contos infantis, com ilustrações de José Correia.
  • Publica O Livro do povo [poesia].
  • Publica a Antologia de poemas portugueses modernos. – Pessoa e Boto elaboraram em conjunto esta antologia, tendo aquele falecido antes de concluírem a obra. 


  • Publica Se, de Rudyard Kipling en versos portugueses / de António Botto
  • É contratado pelo Rádio Clube Português para dirigir as emissões infantis.

1945

  • Publica Ele que diga se eu minto [prosa poética?].
  • Publica As comédias de António Botto – 3.º vol. das “OBRAS COMPLETAS” e 1.º de Teatro.

1947

  • Prefacia Rumos sem rumos: poemas, de Ada Júdice.
  • Publica Ódio e amor: poemas.
  • Decide ir viver para o Brasil. Para juntar dinheiro para a viagem organizou, em maio desse ano, recitais de poesia em Lisboa e no Porto, com grande êxito. No recital de homenagem no S. Luís, em Lisboa, a 7.05.1947, colaboraram intelectuais e artistas, entre os quais Amália Rodrigues, Aquilino Ribeiro (como conferencista), João Villaret e Palmira Bastos.
[foto do Brasil, da época / postal]

  • No dia do seu aniversário, Boto parte finalmente para o Brasil. Acompanha-o uma senhora e amiga íntima, Carminda Silva Rodrigues.
  • Vive em São Paulo (até 1951), na Rua 24 de Maio, n.º 275, apartamento 31.
  • Colabora na página literária do jornal O Estado de São Paulo.

1948

  • Continua a colaborar na imprensa portuguesa e publica também no jornal Folha do Norte, de Belém do Pará.
  • Publica Songs / by António Botto, translated from the Portuguese by Fernando Pessoa.

1949

  • Publica Regresso: novelas inéditas.
  • É contratado pela Rádio Bandeirantes, de São Paulo, para colaborador na rubrica “Selecta Internacional”, transmitida aos domingos na abertura do programa Portugal Canta (28.08.1949 a 1.01.1950). 
  • É emitido o programa radiofónico da autoria de Boto “A voz do espaço”, comemorativo da implantação da República Portuguesa, na Estação Rádio Cultura (05.10.1949).

1950

  • Profere diversas récitas de poesia em São Paulo.
  • Mantém o programa “Almas e Povos” na Rádio Difusão Tupi, de São Paulo, às 2.as, 4.as e 6.as feiras (de 31.07.1950 a 31.01.1951)

1951

  • Récita de poesia, na Casa dos Poveiros, no aniversário de Eça de Queirós.
  • Vai viver para o Rio de Janeiro, onde convive com outros intelectuais.

1952

  • Organiza um festival de poesia no Teatro Municipal João Caetano, de Niterói.
  • Começa a colaborar no Diário Carioca.

1954

  • Pede para ser repatriado. Negado o pedido e sem meios com que custear a viagem, desiste do regresso a Portugal.
  • Promove novas edições dos seus livros; contacta com as editoras Bertrand e Ática.
  • Envia os sonetos «Camões» para publicação no Diário Popular.

1955

  • Publica Fátima: poema do mundo, impresso na tipografia do Jornal do Brasil. O livro foi editado no âmbito do XXVI Congresso Eucarístico.
  • Publica o volume Teatro, que inclui os textos: Flor do mal ; Nove de Abril ; Aqui que ninguém nos ouve; Alfama, nas “Obras completas de António Botto”. – Assina: António Tomás Boto.

1956

  • Adoece gravemente e é internado no quarto 18 do Hospital da Santa Casa, no Rio de Janeiro.
  • As canções de António Boto – “Nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956.

1959

  • O Poeta concede a sua última entrevista, publicada no Século Ilustrado (21.03.1959) sob o título «A verdade sobre António Botto».
  • A 4 de março, ao atravessar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro, é atropelado por um automóvel, acidente que o fere quase mortalmente.
  • É internado no Hospital da Beneficência Portuguesa, do Rio de Janeiro.
  • A 16 de março, pelas 17 horas, falece no hospital, assistido pela dedicada amiga Carminda. Tem quase 62 anos.
  • Em junho, é publicada a obra póstuma Ainda não se escreveu.

1965

  • Os restos mortais de António Boto são trasladados para Lisboa, em outubro, ficando à guarda do Instituto de Alta Cultura.

1966

Ossário do Poeta no cemitério do Alto de S. João 
  • Em novembro, após impasses burocráticos, os seus restos mortais podem finalmente repousar na sua última morada: o ossário n.º 1952 [gavetão municipal], na Rua 17, do Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

1989

  • O seu espólio, enviado do Brasil pela sua “viúva” a um parente, foi doado à Biblioteca Nacional de Portugal, em 1989, onde pode ser estudado.



«VERSOS», de António Boto


«Versos», in revista "Contemporânea", n.º 1, 1922, p. 37.