Perdi-me d'amor!
É uma pomba muito azul —-
Um azul cor de céu quando há sol;
E hei de fugir com ela
Por causa dum rouxinol ciumento
Que me apoquenta
Dizendo
Melodias de ironia penetrante.
Iremos
A esse país nevoento,
Lendário, belo, distante,
Lá onde a Lua se esconde
Em névoas que eternamente lá pairam...
Ó névoa, porque envolveis
O país de Lord Byron?
Às vezes
Penso num pajem que me teve
E num rei que me beijava
Quando a Rainha dormia...
Mas quando lho disseram
Bateu-me tanto
Que eu em longos ais morria...
Não ouvem?...
Lá continua
De novo
O rouxinol a dizer...
Ai, mas, se houver
Uma pequena verdade
No que ele insinua
—- É lume caindo numa ferida —-
Jamais aqui voltarei:
Num lago da velha Escócia
Darei fim à minha vida.
Versão in ["Aves de um parque real" de] As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, pp. 235-236.








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