MM em The Last Sitting, do fotógrafo Bert Stern,1962
Por uma noite de Outono
Lá nessa nave sombria,
Hei de contigo deitar-me,
Mulher branca e muda e fria!
Hei de possuir na morte
O teu corpo de marfim,
Mulher que nunca me olhaste,
Que nunca pensaste em mim...
E quando, no fim do mundo,
A trombeta, além, se ouvir,
Apertar-te-ei mais ainda,
— Não te deixarei partir!
A tua boca formosa
Será sempre dos meus beijos;
E o teu corpo a minha pátria,
A pátria dos meus desejos.
António Boto
Versão do poema: «II» de Canções, Lisboa: Olisipo, 1922.






