Imagem de Michel Giliberti
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Anda, vem... porque te negas,
Carne morena, toda perfume?
Por que te calas,
Por que esmoreces
Boca vermelha, — rosa de lume?
Se a luz do dia
Te cobre de pejo,
Esperemos a noite presos
num infinito beijo.
Dá-me o inefável gozo
De contigo adormecer devagarinho,
Sentindo o aroma e o calor
Da tua carne, ó meu amor.
E ouve, mancebo alado:
— Entrega-te, sê contente.
Nem todo o prazer tem vileza
Ou tem pecado.
Anda, vem. Dá-me esse teu e meu corpo,
Em troca destes desejos.
Tenho saudades da vida
Sem o triste preconceito
Que a torna sempre fingida.
António Boto
Versão in [Livro primeiro de] As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, pp. 26-27.






