Miranda, The Tempest, 1916
John William Waterhouse (1849-1917)
Quanto, quanto me queres? — perguntaste
Olhando para mim mas distraída;
E quando nos meus olhos te encontraste,
Eu vi nos teus a luz da minha vida.
Nas tuas mãos, as minhas, apertaste.
Olhando para mim como vencida,
«...quanto, quanto...» — de novo murmuraste
E a tua boca deu-se-me rendida!
Os nossos beijos longos e ansiosos,
Trocavam-se frementes! — Ah! ninguém
Sabe beijar melhor que os amorosos!
Quanto te quero?! — Eu posso lá dizer!...
— Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.
António Boto
Versão do poema: «VI» de Canções, Lisboa: Olisipo, 1922.






