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| Retrato de António Boto, 1947 Estúdio Mário Novais, Lisboa. |
16 de março de 1959, pelas 17 horas – é a data da morte de António Boto [1897-1959], no Rio de Janeiro, onde o escritor tentara a sua sorte desde 17 de agosto de 1957, o dia do seu 50.º aniversário. Nessa sua partida para o Brasil, acompanhado da amiga Carminda – que alguns vêm como esposa, embora sem registo da união – fora ajudado por alguns amigos.
No mês anterior ao da sua morte, o Poeta concedera a sua última entrevista, a José Maria Rodrigues (publicada no Século Ilustrado, a 21.03.1959). A 4 de março, ao atravessar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana é atropelado por um automóvel, acidente que o fere quase mortalmente. Internado no Hospital da Beneficência Portuguesa, aí falece, assistido pela companheira de andanças e desventuras, a 16 de março, pelas 17 horas. Tem quase 62 anos.
A imprensa portuguesa e brasileira fez eco do seu desaparecimento: Carlos Drummond de ANDRADE, «Bôto: Um Príncipe», Correio da Manhã, 19.03.1959; s.a., «Morreu o Poeta», Diário Carioca, 17.03.1959; «A verdade sobre António Botto» - dossiê dedicado a António Boto no Século Ilustrado, Lisboa, 21.03.1959; Carlos CUNHA, «A morte de António Botto – 20 cruzeiros por um poema!», Diário Ilustrado, Lisboa, n.º 12, 21.03.1959; João Alves das NEVES «Na morte de Antônio Botto», A Tribuna, 22.03.1959; Miranda MENDES, «Um poeta da vida», Diário de Notícias, Lisboa, 26.03.1959, João Alves das NEVES, «Cartas […] de São Paulo: António Botto, poeta», O comércio do Porto, 28.04.1959; Jorge de SENA, «Iniciando…», in ?, [abril 1959]; João José COCHOFEL, notícia na Gazeta Musical e de Todas as Artes, n.º 97, abril 1959; José RÉGIO «António Botto», Gazeta Musical e de Todas as Artes, n.º 98, maio 1959.
Todavia, só em outubro de 1965, os restos mortais de António Botto são trasladados para a capital do país que o viu nascer, ficando à guarda do Instituto de Alta Cultura.
A 17 de novembro de 1966, após mais de um ano de impasses burocráticos, os seus restos mortais são finalmente depositados na Rua 17, do Cemitério do Alto de São João, em Lisboa. A esta cerimónia assistem alguns amigos, individualidades das letras e das artes: como José Régio, Luís Amaro, Ferreira de Castro, Natália Correia, David Mourão-Ferreira, Dórdio Guimarães, Igrejas Caeiro, Norberto Barroca, Aníbal Contreias, entre outros. Em representação do ministro dos Negócios estrangeiros, marcou presença Jorge Nemésio.
JCC







