26/09/2014

ASSENTO DO BATISMO DE ANTÓNIO BOTO NA IGREJA DE S. PEDRO DE ALVEGA

 Igreja de São Pedro, em Alvega
União das freguesias de Alvega e Concavada, no concelho de Abrantes.
Fonte da imagem: Portugal torrão natal

Consta no livro n.º 6 de 1898, da freguesia de Alvega, que:



«António nasceu às 8 horas (da manhã) do dia 17 de Agosto de 1897.

Filho de Francisco Tomaz Botto e Maria Pires Agudo, neto de Thomaz Rodrigues Botto e Joaquina Maria Theodora (pelo lado de seu pai) e de Manuel Lopes de Paula Agudo e Isabel Pires (pelo lado de sua mãe).

Padrinhos: Joaquim Lopes Lola e António Vicente Mendes [quem leu, descodificou assim!].

Pais, avós e padrinhos moravam no casal de Concavada, freguesia de Alvega.»



Fonte da imagem: 
"Alvega - Tudo o que se passa na nossa Terra", grupo no Facebook

«Foi baptizado a 23 de Janeiro de 1898, na Igreja de S. Pedro de Alvega, pelo Padre Severino Ferreira Santana.»

Cópia do assento do batismo, na Igreja de S. Pedro de Alvega

25/09/2014

O aniversário de António Boto é a 17 de agosto. - Parabéns, António!

António Tomás Botto

nasceu a

17 de agosto de 1897, às 8 horas,

em Concavada
aldeia do concelho de Abrantes.

Teve pai e teve mãe:
É filho do casal
Maria Pires Agudo e Francisco Thomaz Botto.

São três os irmãos:
Carlos, António e Virgílio.

O menino António é único e multifacetado.
Começa por ser e assim continuará sendo
filho e irmão.



Família – por Sarah Afonso

Pintura, óleo sobre tela, 1937
Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian
Fonte: comjeitoearte.blogspot.com


12/05/2014

Tu mandaste-me dizer - canção de António Boto dedicada «enternecidamente – a Fernando Pessoa»


"Treasures of the night", por Matthew Stradling


Enternecidamente – a Fernando Pessoa


Tu mandaste-me dizer
Que tornavas novamente
Quando viesse a tardinha;
E eu, para mais te prender,
— Nesse dia...
Pintei de negro os meus olhos
E de roxo a minha boca.

As rosas eram aos molhos
Para a noite rubra e louca!

Entornei sobre o meu corpo,
— Que fora delgado e belo!
O perfume mais estranho e mais subtil;
E um brocado roxo e verde
Envolveu a minha carne
Macerada e varonil.
Os meus ombros florentinos,
Cobertos de pedraria,
Eram chagas luminosas
Alumiando o meu corpo
Todo em febre e nostalgia.
Nas minhas mãos de cambraia,
As esmeraldas cintilavam;
E as pérolas nos meus braços,
Murmuravam...
Desmanchado, o meu cabelo,
Em ondas largas, caía,
Na minha fronte
Ligeiramente sombria.

Pálido sempre; dir-se-ia
Que a palidez aumentava
A minha grande beleza!

Na minha boca ondulava
Um sorriso de tristeza.

A noite vinha tombando.

E, como tardasses,
Fiquei-me, sentado, olhando
O meu vulto refletido
No espelho de cristal;

E afinal,
Nem frescura, nem beleza,
No meu rosto descobri!

— Ó morte, não me procures!
E tu, meu amor, não venhas!...
                            — Eu já morri.

António Boto


Referência:
Versão do poema: «XII» de Canções, Lisboa: Olisipo, 1922.

03/04/2014

«O brinco da tua orelha», por António Boto


Pormenor de "O sacrificio", por DDiArte


O brinco da tua orelha
Sempre se vai meneando;
Gostava de dar um beijo
Onde o teu brinco os vai dando.
Tem um topázio doirado
Esse brinco de platina;
Um rubi muito encarnado,
E uma outra pedra fina.
O que eu sofro quando o vejo
Sempre airoso meneando!
Dava tudo por um beijo
Onde o teu brinco os vai dando.

António Boto



Referência:
Versão do poema in [“As tristes cantigas de amor” de ] As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p. 256.


21/03/2014

«Tem na maneira de olhar», poema de António Boto


Obra de Richard Taddei


Tem na maneira de olhar
Aquela dúbia certeza
De quem pretende fixar-se
Numa doce realidade...

E o seu vulto, quando passa,
Parece deixar no espaço,
A graça de uma saudade!

Há no seu riso —
Uma nota
Que lembra um laivo de sombra
Nessa beleza tão séria
Onde tudo quanto é belo
Desgraçadamente existe.

Ah!, meus amigos, a vida!...

— Falei de amor, fiquei triste.

António Boto



Versão in ["A vida que te dei", 1938] As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p.pp. 273-274.

"Primavera! Aí vem ela" - canção do livro TODA A VIDA de António Boto


"O nascer da Primavera" - pormenor de Mercúrio

por Sandro Botticelli


Primavera! Aí vem ela —
Florida, luminosa, e atraente!

As árvores enchem-se de folhas
E essas folhas como lábios
Tocam-se amorosamente!

À noite, as estrelas dizem
Segredos aos namorados.
Primavera!, não acordes
Estas saudades, não fales,
Deixa ouvir os trinados
Da vida que nasce e canta
Para ficar mais imensa
Nos silêncios da ilusão!

Se ela aí vem, não te oponhas:
— Deixa-a passar, coração!


António Boto






Versão in ["Toda a vida" de] As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p. 353.