Anda um ai na minha vida
Que me lembra a cada passo
A distância que separa
O que eu digo do que eu faço.
Quem mo deu
— Partiu!...
Deixou-me na agrura
Interminável e fria
De ter de o guardar
Como único recurso
De poder viver ainda…
Anda um ai na minha vida,
Como lágrima que passa,
Que passa – mas que não finda.
Dizê-lo? – nada lucrava.
Guardá-lo? – morro a senti-lo.
Anda um ai na minha vida
Que me lembra a cada passo
A distância que separa
O que eu digo do que eu faço.
António Boto
Versão em língua portuguesa, no livro "Dandismo" (1928?) inclusa in As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, pp. 123-124.





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