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| Mustang, in Fading Americans |
RETRATO DE ANTÓNIO BOTTO
Um efebo cavalo
uma nereide
potro
o fálus ou o
halo
és o outro és o outro!
És a grande
diferença
de seres intermitente
de seres intermitente
mar de
mágoa presença
dos deuses
entre a gente.
És o Olimpo
limpo
pela água da
fonte
azulíneo limbo
da linha do
horizonte.
Um efebo cavalo
uma nereide potro
o fálus ou o halo
és o outro és o outro!
É para além do polo
magnético do
cio
teu desvio de
Apolo
a tiritar de
frio.
É para lá que vives
é para lá que
morres
e cantando
proíbes
deseperando
corres.
Um efebo cavalo
uma nereide potro
o fálus ou o halo
és o outro és o outro!
És a simples fragata
chamando o
marinheiro
és a gota és a gata
de puro corpo
inteiro.
a menina varina
sardinheira de
Alfama
e às vezes a
vagina
que um homem
tem na cama.
És o silvo o apito
O encoberto do
cais
És o mito és o grito
De quem não
pode mais.
Um efebo cavalo
uma nereide potro
o fálus ou o halo
és o outro és o outro!
Isto eu diria
acaso ou isso ou isso
Se a palavra
que temos nos chegasse
Para
clamar poeta flor
justiça
como se amor,
António, não bastasse!
Imagem, em Agenda de Lisboa
Fonte:
«Retrato de António Botto», in José Carlos Ary dos Santos & Nuno Calvet – Fotos-grafias.
Lisboa, Col. “Poesia”, 1: Quadrante, 1970. – Edição fac-símile por A Bela e o
Monstro / República Final, Unipessoal, Lda., 2014; reprod. em Ary dos Santos / Vinte anos de poesia.
Lisboa: Círculo de Leitores, 1984, pp. 118-119.
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