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10/10/2014

A tudo quanto me pedes / Porque obedeço não sei - confessa António Boto

Fado (1945) - Cândido Costa Pinto


A tudo quanto me pedes
Porque obedeço não sei:
Vês? – quiseste que eu cantase…,
Pus-me a cantar, e chorei.


António Boto


Versão em língua portuguesa, no livro "Dandismo" incluso in As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p. 120.

Anda um ai na minha vida - diz-nos António Boto em "Dandismo"




Anda um ai na minha vida
Que me lembra a cada passo
A distância que separa
O que eu digo do que eu faço.

Quem mo deu
— Partiu!...
Deixou-me na agrura
Interminável e fria
De ter de o guardar
Como único recurso
De poder viver ainda…

Anda um ai na minha vida,
Como lágrima que passa,
Que passa – mas que não finda.

Dizê-lo? – nada lucrava.
Guardá-lo? – morro a senti-lo.

Anda um ai na minha vida
Que me lembra a cada passo
A distância que separa
O que eu digo do que eu faço.


António Boto



Versão em língua portuguesa, no livro "Dandismo" (1928?) inclusa in As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, pp. 123-124.