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11/04/2022

Aula de Poesia Mundial, neste caso sobre Fernando Pessoa como leitor de António Botto, por Anna Klobucka



BIBLIOTECA PARTICULAR FERNANDO PESSOA

Aula de Poesia Mundial - António Botto por Anna Klobucka


28 ABR 2022 ·18:30 – 19:45


As aulas de poesia mundial e a sessão lecionada por Anna Klobucka

Pessoa leu livros de áreas muito diversas, mas uma grande parte da sua estante era ocupada pela literatura, em especial a poesia. 
Nas aulas de poesia mundial são convidados especialistas a apresentarem um poeta que Pessoa leu, segundo um ângulo de leitura livre.

No caso da aula de 28 de abril, falar-se-á de Fernando Pessoa como leitor de António Botto.
Pessoa além de ter lido e defendido a poesia de Botto, editou um dos seus livros e traduziu as "Canções", um livro que nunca parara de aumentar.
Anna Klobucka tem trabalhado o carácter controverso da obra e da figura de António Botto, especialmente a recepção crítica da sua obra.




Saiba +








12/05/2014

Tu mandaste-me dizer - canção de António Boto dedicada «enternecidamente – a Fernando Pessoa»


"Treasures of the night", por Matthew Stradling


Enternecidamente – a Fernando Pessoa


Tu mandaste-me dizer
Que tornavas novamente
Quando viesse a tardinha;
E eu, para mais te prender,
— Nesse dia...
Pintei de negro os meus olhos
E de roxo a minha boca.

As rosas eram aos molhos
Para a noite rubra e louca!

Entornei sobre o meu corpo,
— Que fora delgado e belo!
O perfume mais estranho e mais subtil;
E um brocado roxo e verde
Envolveu a minha carne
Macerada e varonil.
Os meus ombros florentinos,
Cobertos de pedraria,
Eram chagas luminosas
Alumiando o meu corpo
Todo em febre e nostalgia.
Nas minhas mãos de cambraia,
As esmeraldas cintilavam;
E as pérolas nos meus braços,
Murmuravam...
Desmanchado, o meu cabelo,
Em ondas largas, caía,
Na minha fronte
Ligeiramente sombria.

Pálido sempre; dir-se-ia
Que a palidez aumentava
A minha grande beleza!

Na minha boca ondulava
Um sorriso de tristeza.

A noite vinha tombando.

E, como tardasses,
Fiquei-me, sentado, olhando
O meu vulto refletido
No espelho de cristal;

E afinal,
Nem frescura, nem beleza,
No meu rosto descobri!

— Ó morte, não me procures!
E tu, meu amor, não venhas!...
                            — Eu já morri.

António Boto


Referência:
Versão do poema: «XII» de Canções, Lisboa: Olisipo, 1922.