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03/04/2014

«O brinco da tua orelha», por António Boto


Pormenor de "O sacrificio", por DDiArte


O brinco da tua orelha
Sempre se vai meneando;
Gostava de dar um beijo
Onde o teu brinco os vai dando.
Tem um topázio doirado
Esse brinco de platina;
Um rubi muito encarnado,
E uma outra pedra fina.
O que eu sofro quando o vejo
Sempre airoso meneando!
Dava tudo por um beijo
Onde o teu brinco os vai dando.

António Boto



Referência:
Versão do poema in [“As tristes cantigas de amor” de ] As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p. 256.


06/01/2014

«Não me peças mais canções», de António Boto

Jovem lendo à luz das velas
por Matthias Stomer


Não me peças mais canções
Porque a cantar vou sofrendo;
Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.
Se a minha voz conseguisse
Dissuadir essa frieza
E a tua boca sorrisse!
Mas sóbria por natureza
Não a posso renovar
E o brilho vai-se perdendo....
— Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

António Boto



Versão do poema in [“As tristes cantigas de amor” de ] As canções de António Botto, “nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p. 260.