14/02/2014
Foi numa tarde de Julho - canção de António Boto
Foi numa tarde de Julho.
Conversávamos a medo,
— Receosos de trair
Um tristíssimo segredo.
Sim, duvidávamos ambos:
Ele não sabia bem
Que o amava loucamente
Como nunca amei ninguém.
E eu não acreditava
Que era por mim que o seu olhar
De lágrimas se toldava...
Mas, a dúvida perdeu-se;
Falou alto o coração!
— E as nossas taças
Foram erguidas
Com infinita perturbação!
Os nossos braços
Formaram laços.
E, aos beijos, ébrios, tombámos;
— Cheios d'amor e de vinho!
«Agora... morre comigo,
Meu amor, meu amor... devagarinho!...»
António Boto
Versão do poema: «V» de Canções, Lisboa: Olisipo, 1922.
