Ah!, Quanto me arrependo
De ter contado nessa carta
Que te mandei
As causas do meu apego
A tudo o que te pertence!
Depois de a mandar, chorei!
Parece que me roubaram
Qualquer coisa que eu trazia
Aqui, dentro do meu peito,
Escondida lá no fundo!
Não deveríamos, nunca!,
Traduzir em palavras
O nosso amor.
Só o silêncio das almas
Impõe a verdade e a vida
E as dá num plano maior.
António Boto
Versão publicada no Livro primeiro de As canções de António Botto. “Nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956, p. 36.
