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| O escritor no café Martinho da Arcada, onde por vezes se encontrava com o seu amigo Fernando Pessoa |
1897
[foto da biblioteca AB, atual]
- António Tomás Boto nasceu a 17 de agosto de 1897, às 8 horas, no Casal da Concavada, do concelho de Abrantes. É filho de Maria Pires Agudo e Francisco Tomás Boto.
1902
- A sua família muda-se para Lisboa, onde o pai trabalhará nas fragatas do Tejo. Passam a residir na Rua da Adiça, n.º 22, em Alfama.
1917
- Publica Trovas [poesia].
1918
- Publica Cantigas da Saudade [poesia].
1919
- Participa no projeto Cantares: versos de António Botto: músicas de Nicolau d'Albuquerque Ferreira: ilustrações do pintor António Carneiro.
1920
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| Rua da Madalena, n.º 151, 2.º Esq., Lisboa Fotogr. de Francisco Lopes [Exposição] |
- Passa a morar na Rua da Madalena, n.º 151, 2.º Esq., Lisboa.
- Publica Canções do Sul [poesia].
1921
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| Fotografia artística inclusa em Canções |
- Publica a 1.ª edição de Canções, com carta-prefácio de Teixeira de Pascoaes.
1922
- Colabora com poemas na revista Contemporânea.
- Publica a 2.ª edição de Canções – “muito aumentada, com um retrato do autor, palavras de Teixeira de Pascoaes e novas referências por Jaime Balsemão”, Lisboa: «Olisipo» - Sociedade Editora [de Fernando Pessoa], 1922.
1923
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| «Aviso por causa da moral» - por Álvaro de Campos |
- Publica Motivos de beleza [poesia].
- Rebenta a polémica em torno da 2.ª edição de Canções que – juntamente com Decadência de Judith Teixeira e Sodoma Divinizada de Raul Leal – é considerado imoral e mandado apreender pelo Governo Civil de Lisboa, na tarde de 5 de março. A questão envolverá o autor dos poemas, a Liga dos Estudantes das Escolas Superiores de Lisboa; o heterónimo pessoano Álvaro de Campos e mesmo o mestre Aquilino Ribeiro, acérrimo defensor dos autores com obras banidas.
1924
- Publica «Cartas que me foram devolvidas» [prosa poética] na revista Athena (n.º 1, 1924), dirigida por Fernando Pessoa. – Estes textos serão posteriormente [1932] publicadas em volume.
- Publica Curiosidades estéticas... [poesia].
- Parte para Angola como funcionário público.
1925
![]() Santo António do Zaire, c.1935-39 Fotógrafo: Elmano Cunha e Costa IICT/ACTD/Arquivo Histórico Ultramarino 13251 |
- Desempenha a função de Chefe da Repartição Política e Civil do Zaire, em Santo António do Zaire – atual Soyo, cidade situada no extremo norte angolano, já na fronteira com o Congo –, tendo também trabalho em Luanda.
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| Soyo, na província do Zaire, em Angola |
- Regressa a Portugal, sendo colocado no posto antropométrico do Governo Civil de Lisboa.
- Publica Pequenas esculturas [poesia].
1927
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| Luís Fernando de Orleans y Borbón Fotografia in Wikipédia [clicar no nome] |
- Viaja a Itália, onde passa uma temporada na companhia do príncipe espanhol Luís Fernando de Orleans y Borbón [05.11.1888 – 20.06.1945]. Luís Fernando era gay e gostava de se vestir como mulher, tendo mesmo aparecido em espetáculos como bailarina. Amigo de António Boto e de Marcel Proust, este príncipe “maldito” passeou a sua “pequena majestade” por os salões e tugúrios de Paris da Belle Époque.
- Publica Olympíadas: canções.
1928
- A convite de José Régio, inicia a sua colaboração na revista Presença (n.º 10, março de 1928) com o texto «Canção sobre um eterno motivo».
- Publica Dandysmo [poesia].
1929
- Em abril/maio, é homenageado na Presença com a publicação da «Canção de Outono» e a tábua bibliográfica das suas obras.
- Publica, em coautoria com Pessoa, três fascículos de uma Anthologia de poemas portuguezes modernos, a qual será publicada em volume, em 1944.
1930
- Colabora na organização do “Primeiro Salão dos Independentes”, na Sociedade Nacional de Belas-Artes.
1931
- Publica O livro das crianças [contos], com ilustrações de Carlos Carneiro.
1932
- Publica em volume Cartas que me foram devolvidas – com um estudo crítico por Fernando Pessoa.
1933
- Publica a peça Alfama que é levada à cena em Lisboa.
- Publica António: novela dramática.
1934
- Regista-se como sócio da sociedade de escritores e Compositores Teatrais portugueses, com o n.º 259.
- Publica O meu amor pequenino [contos].
- Escreve a letra de “Canção das lavadeiras”, com música de Luiz Freitas Branco, para o fonofilme Gado Bravo, dirigido por António Lopes Ribeiro.
- Publica Ciúme: canções.
- Em agosto, no jornal Fradique, tem início a violenta polémica que opôs José Régio, defensor de Boto, e Tomás Ribeiro Colaço, diretor do jornal.
1935
- O livro das crianças é traduzida para língua inglesa – The children's book – por Alice Lawrence Oram, embora seja publicado em Portugal. As ilustrações são de Carlos Botelho.
- Publica Dar de beber a quem tem sede [contos].
- Publica A verdade e nada mais [contos].
- Morre o seu amigo, tradutor e editor Fernando Pessoa [1888-1935].
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| No café-restaurante Martinho da Arcada, em Lisboa, com Fernando Pessoa, Raul Leal e Augusto Ferreira Gomes |
1936
- Publica Baionetas da morte [poesia].
1937
- Licença ilimitada do cargo de aspirante do Quadro Administrativo de Angola. [rever!]
- Em abril, é nomeado para o lugar de escriturário de 2.ª classe do Arquivo Geral de Registo Criminal e Policial, no Posto de Identidade do Porto. Mais tarde, é promovido a escriturário de 1.ª classe do mesmo quadro.
- Muda-se para a Rua Tenente Ferreira Durão, n.º 56, 3.º andar, Lisboa.
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| R. Tenente Ferreira Durão, n.º 56, 3.º, Lisboa Fotogr. de Francisco Lopes [Exposição] |
1938
- Colabora na Revista de Portugal , direção de Vitorino Nemésio, e nos jornais Diário de Notícias e Diário de Lisboa.
- Publica A vida que te dei [poesia].
- Publica Nove de Abril: teatro em três actos, peça que é levada à cena em Lisboa.
- José Régio publica o ensaio António Botto e o amor.
1939
- Publica Não é preciso mentir [contos para crianças].1940
- Publica a novela Isto sucedeu assim...
- Publica O barco voador [contos].
- A Morgadinha de Valflor – opereta adaptada por António Boto a partir do drama homónimo de Pinheiro Chagas.
1941
- Começa a colaborar no jornal Os Sports, onde publica poemas, contos para crianças, críticas e crónicas.
- Publica uma entrevista com a filha de Guerra Junqueiro, sob o título «Junqueiro na Intimidade – o que nos disse a filha do poeta» (Diário de Lisboa, 22.03.1941).
- Publica As canções de António Botto – “nova edição” ou “edição definitiva” – 1.º vol. das Obras Completas, s.l.: s.n., 1941.
- Publica O Anjo da Guarda: comédia em 3 actos: adaptação: primeira representação no Teatro Variedades de Lisboa em 15 de Março de 1941, pela companhia António Silva – Irene Isidro – Ribeirinho.
1942
- É demitido do cargo de escriturário de 1.ª classe do Arquivo Geral de Identificação por, diz-se, ter desacatado uma ordem verbal, ter dirigido galanteios a um seu colega e por fazer versos e recitá-los durante as horas de serviço da repartição; sem direito a qualquer pensão» [Despacho, Diário do Governo, II Série, n.º 262, 5795, Lisboa, 9.11.1941].
- João Villaret interpreta o poema de Boto «Tríptico da Raça», no Teatro Avenida, com cenários e figurinos do poeta.
- Publica Os contos de António Botto: para crianças e para adultos.
- Publica Aqui ninguém nos ouve [diálogo representado].
- Publica OBRAS COMPLETAS – 2.º volume.
1943
- Redige o prefácio de Aventuras do anão gigante, de Salomé de Almeida.
- Publica A guerra dos macacos [contos para crianças].
1944
- Seleciona e publica Histórias do Arco da Velha: antologia de contos infantis, com ilustrações de José Correia.
- Publica O Livro do povo [poesia].
- Publica a Antologia de poemas portugueses modernos. – Pessoa e Boto elaboraram em conjunto esta antologia, tendo aquele falecido antes de concluírem a obra.
- Publica Se, de Rudyard Kipling en versos portugueses / de António Botto.
- É contratado pelo Rádio Clube Português para dirigir as emissões infantis.
1945
- Publica Ele que diga se eu minto [prosa poética?].
- Publica As comédias de António Botto – 3.º vol. das “OBRAS COMPLETAS” e 1.º de Teatro.
1947
- Prefacia Rumos sem rumos: poemas, de Ada Júdice.
- Publica Ódio e amor: poemas.
- Decide ir viver para o Brasil. Para juntar dinheiro para a viagem organizou, em maio desse ano, recitais de poesia em Lisboa e no Porto, com grande êxito. No recital de homenagem no S. Luís, em Lisboa, a 7.05.1947, colaboraram intelectuais e artistas, entre os quais Amália Rodrigues, Aquilino Ribeiro (como conferencista), João Villaret e Palmira Bastos.
[foto do Brasil, da época / postal]
- No dia do seu aniversário, Boto parte finalmente para o Brasil. Acompanha-o uma senhora e amiga íntima, Carminda Silva Rodrigues.
- Vive em São Paulo (até 1951), na Rua 24 de Maio, n.º 275, apartamento 31.
- Colabora na página literária do jornal O Estado de São Paulo.
1948
- Continua a colaborar na imprensa portuguesa e publica também no jornal Folha do Norte, de Belém do Pará.
- Publica Songs / by António Botto, translated from the Portuguese by Fernando Pessoa.
1949
- Publica Regresso: novelas inéditas.
- É contratado pela Rádio Bandeirantes, de São Paulo, para colaborador na rubrica “Selecta Internacional”, transmitida aos domingos na abertura do programa Portugal Canta (28.08.1949 a 1.01.1950).
- É emitido o programa radiofónico da autoria de Boto “A voz do espaço”, comemorativo da implantação da República Portuguesa, na Estação Rádio Cultura (05.10.1949).
1950
- Profere diversas récitas de poesia em São Paulo.
- Mantém o programa “Almas e Povos” na Rádio Difusão Tupi, de São Paulo, às 2.as, 4.as e 6.as feiras (de 31.07.1950 a 31.01.1951)
1951
- Récita de poesia, na Casa dos Poveiros, no aniversário de Eça de Queirós.
- Vai viver para o Rio de Janeiro, onde convive com outros intelectuais.
1952
- Organiza um festival de poesia no Teatro Municipal João Caetano, de Niterói.
- Começa a colaborar no Diário Carioca.
1954
- Pede para ser repatriado. Negado o pedido e sem meios com que custear a viagem, desiste do regresso a Portugal.
- Promove novas edições dos seus livros; contacta com as editoras Bertrand e Ática.
- Envia os sonetos «Camões» para publicação no Diário Popular.
1955
- Publica Fátima: poema do mundo, impresso na tipografia do Jornal do Brasil. O livro foi editado no âmbito do XXVI Congresso Eucarístico.
- Publica o volume Teatro, que inclui os textos: Flor do mal ; Nove de Abril ; Aqui que ninguém nos ouve; Alfama, nas “Obras completas de António Botto”. – Assina: António Tomás Boto.
1956
- Adoece gravemente e é internado no quarto 18 do Hospital da Santa Casa, no Rio de Janeiro.
- As canções de António Boto – “Nova edição definitiva”, Lisboa: Bertrand, 1956.
1959
- O Poeta concede a sua última entrevista, publicada no Século Ilustrado (21.03.1959) sob o título «A verdade sobre António Botto».
- A 4 de março, ao atravessar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro, é atropelado por um automóvel, acidente que o fere quase mortalmente.
- É internado no Hospital da Beneficência Portuguesa, do Rio de Janeiro.
- A 16 de março, pelas 17 horas, falece no hospital, assistido pela dedicada amiga Carminda. Tem quase 62 anos.
- Em junho, é publicada a obra póstuma Ainda não se escreveu.
1965
- Os restos mortais de António Boto são trasladados para Lisboa, em outubro, ficando à guarda do Instituto de Alta Cultura.
1966
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| Ossário do Poeta no cemitério do Alto de S. João |
- Em novembro, após impasses burocráticos, os seus restos mortais podem finalmente repousar na sua última morada: o ossário n.º 1952 [gavetão municipal], na Rua 17, do Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
1989
- O seu espólio, enviado do Brasil pela sua “viúva” a um parente, foi doado à Biblioteca Nacional de Portugal, em 1989, onde pode ser estudado.
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