10/10/2014

Passatempo TORNEIO POÉTICO: Evocação de António Botto e Jorge de Sena", promovido em 2009 pela DGLAB



Em 2009, no âmbito do Dia Mundial da Poesia (21 de março), do Dia Mundial do Livro (23 de abril) e do Ano Europeu da Criatividade e Inovação, a Direcção‐Geral do Livro e das Bibliotecas lançou um passatempo, não só interessante por promover as competências de leitura e de escrita como também formativo, evocando dois poetas/escritores cuja expressão literária contemplou a configuração temática - na poesia, mas também na ficção e, no caso de Boto, no teatro - dos dramas do ser humano que sente e se sabe "queer".

Neste passatempo «o jovem público leitor» (alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do ensino Secundário) é convidado a participar num torneio poético evocativo de António Botto - celebrando-se os 50 anos da morte do poeta - e de Jorge de Sena - assinalando o 90.º aniversário do nascimento deste poeta.

As modalidade de participação consistiram na glosa e desenvolvimento, em verso ou em prosa de ficção, de uma das estrofes fornecidas, duas de cada poeta - as que republicamos neste post.

Na nota introduória ao Regulamento do Passatempo, os Organizadores dizem ter procurado «corresponder às recomendações das organizações internacionais no sentido de se promover o diálogo intercultural» e é nesse sentido que promoveram este passatempo: «encarando a leitura regular e o exercício poético como livre e superior expressão do conhecimento humano e da diversidade da natureza humana e como fonte de criatividade e inovação».




I

Afirmam que a vida é breve,
Engano, – a vida é comprida:
Cabe nela amor eterno
E ainda sobeja vida.

(António Botto, in Pequenas Esculturas, 1925)

II

Anda um ai na minha vida
Que me lembra a cada passo
A distância que separa
O que eu digo do que eu faço.


(António Botto, in Dandismo, 1928)

III

Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
[…]


(Jorge de Sena, "Uma Pequenina Luz", in Fidelidade, 1958)

IV

Amo‐te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter‐te, amo‐te mais, e mais ainda
depois de ter‐te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.
[… ]


(Jorge de Sena, do "Soneto VIII", in As Evidências, 1955)

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